Introdução

Quando penso na história do Instituto Velho Amigo, é impossível falar sobre ela sem falar de voluntariado.

Porque foi assim que tudo começou.

Antes de existir uma organização, uma equipe, programas, projetos ou uma metodologia, existiu um encontro.

Existiu a decisão de doar tempo.
De estar presente.
De conhecer de perto uma realidade que, para muita gente, permanecia invisível.

Foi como voluntária, entrando em uma instituição que acolhia pessoas idosas, que eu comecei a compreender a dimensão daquela realidade. Ali nasceu uma inquietação que nunca mais me deixou:

Como podemos fazer mais? Como transformar um gesto de cuidado em uma força capaz de gerar mudanças duradouras?

Dessa inquietação nasceu o Instituto Velho Amigo.

Participantes de atividade voluntária durante ação promovida pelo Instituto Velho Amigo.

O voluntariado como força de transformação

E, tantos anos depois, continuo acreditando que o voluntariado carrega uma força extraordinária: a capacidade de aproximar mundos que muitas vezes não se encontrariam.

Quando uma pessoa escolhe ser voluntária, ela oferece seu tempo, seu conhecimento, sua escuta e sua presença. Mas também recebe.

Recebe histórias.
Recebe aprendizado.
Recebe novas perspectivas sobre a vida, sobre o envelhecimento e, muitas vezes, sobre o seu próprio futuro.

Fazer com, e não apenas para

No Instituto Velho Amigo, aprendemos que voluntariado não é apenas fazer para alguém.

É fazer com alguém.

É construir pontes entre gerações.
É reconhecer as múltiplas velhices.
É combater preconceitos.
É devolver visibilidade a quem tantas vezes foi invisibilizado.
É transformar cuidado em compromisso coletivo.

Uma história construída por muitas pessoas

Ao longo da nossa trajetória, milhares de pessoas passaram por essa história trazendo seus talentos, suas profissões, suas empresas, suas mãos, suas ideias e, principalmente, a disposição de estar junto.

Cada ação deixou alguma coisa.

Uma conversa pode romper uma solidão.
Uma oficina pode despertar uma habilidade, reconhecimento.
Um atendimento pode devolver autonomia.
Um encontro entre gerações pode desconstruir anos de preconceito.
E uma pessoa voluntária pode sair de uma ação enxergando o envelhecimento de uma maneira completamente diferente.

Participantes de ação voluntária atuam em atividade de manutenção e cultivo em área externa de instituição parceira.

Mais que metodologias, desenvolvemos conexões

É assim que a transformação acontece.

A sociedade em que queremos envelhecer

O envelhecimento faz parte da evolução humana. E preparar uma sociedade para a longevidade não é responsabilidade apenas das organizações que trabalham com pessoas idosas.

É responsabilidade de todos nós.

Por isso, quando convidamos alguém para o voluntariado no Instituto Velho Amigo, não estamos convidando apenas para uma ação.

Estamos convidando essa pessoa para participar da construção da sociedade em que todos nós queremos envelhecer.

Uma sociedade com mais dignidade.
Mais respeito.
Mais convivência.
Mais escuta e conexão
Mais oportunidades.
E menos preconceito em relação à idade.

Gratidão a quem constrói essa história conosco

Fechamos este Mês do Voluntariado com gratidão a cada pessoa que já caminhou conosco e a cada empresa que decidiu colocar seus talentos a serviço dessa causa.

Vocês fazem parte da nossa história.

Porque, se há quase 3 décadas o Instituto Velho Amigo nasceu de uma ação voluntária, é também através de milhares de novas ações que seguimos ampliando nosso impacto.

O voluntariado não é uma parte da nossa história.

O voluntariado é nosso DNA.

Mosaico com registros de diferentes ações voluntárias realizadas pelo Instituto Velho Amigo ao longo dos anos.

Conclusão

E talvez essa seja uma das maiores lições que essa trajetória nos deixa:

Quando alguém doa algumas horas de sua vida para transformar a vida de outra pessoa, algo também se transforma dentro dela.

É nessa troca que o voluntariado ganha sentido, cria vínculos, aproxima realidades e constrói pontes que permanecem para além de cada ação.

Por isso, não convidamos pessoas apenas para fazer uma ação voluntária. Convidamos pessoas para ajudar a construir a sociedade em que todos nós queremos envelhecer.

Que nunca nos falte disposição para seguir construindo essas pontes, porque transformar a forma como o Brasil enxerga, reconhece e vive as suas múltiplas velhices é um compromisso que precisa de todos nós.

Quer ajudar este trabalho a continuar?

Sobre a autora

Retrato da autora do artigo.

Regina Moraes é entusiasta de transformações e uma eterna apaixonada por causas sociais. A empreendedora social Regina Moraes traz em sua história um poderoso legado de amor ao próximo, impulsionando iniciativas no terceiro setor há mais de 26 anos.

Em 1999, Regina fundou o Instituto Velho Amigo, organização que tem como grande propósito contribuir para a inclusão social de pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, promovendo um envelhecimento saudável com autonomia, respeito e dignidade. Em seus 26 anos de atuação, o Instituto já impactou mais de 30.000 pessoas idosas no Brasil, e segue ampliando suas atividades e programas.